Maia pede que Bolsonaro promova união nacional e afaste ‘lunáticos’

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-AP) afirmou neste domingo, em entrevista à Globonews, que a relação entre os Poderes melhorou nas últimas semanas, “mas ainda não é de harmonia”.

Ele cobrou uma atuação integrada do governo federal com Estados e municípios no enfrentamento da pandemia da covid-19.

Para Maia, cabe ao presidente Jair Bolsonaro promover essa aproximação entre todos os poderes. “Deveríamos fazer uma reunião, sentar à mesa com todos dispostos a abrir mão de parte do que acreditam. Precisamos estar unidos, só uma pessoa tem legitimidade para isso, o presidente, que tem mandato até 2022 e deve coordenar essa conversa”.

“O quadro melhorou, mas ainda não é de harmonia. Harmonia precisa acontecer com todos os entes federados. Ainda não conseguimos essa organização”, disse Maia. Para ele, a versão “paz e amor” de Bolsonaro nas últimas semanas é fruto da compreensão do presidente de que precisa dialogar para encontrar soluções para a crise; “Bolsonaro chegou [à Presidência] desconfiando demais da política. Nunca tinha sido líder de partido, presidido uma comissão. Talvez ele tenha visto que as coisas não acontecem com ele imagina, com conspirações, que ele foi vendo que não é dessa forma. Fico com a tese que o presidente entendeu que sem um bom diálogo, as coisas não vão andar”. Maia atestou que sua relação com o presidente “hoje é boa. Sou muito transparente, falo o que acredito de forma aberta”.

O presidente da Câmara afirmou que é fundamental também que Bolsonaro afaste do entorno do governo “lunáticos” que interferem nos rumos da gestão. “Tem a questão dos apoios dos movimentos mais radicais, que o levaram a este caminho. Essas redes querem viralizar o ódio para manter sua influência sobre o presidente”

Questionado sobre quem seriam os lunáticos, exemplificou citando o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Maia foi mais longe e aconselhou o Banco Mundial a rejeitar a indicação do ex-ministro para uma diretoria do órgão. “Espero que os lunáticos deixem de ser relevantes. Um deles está nos Estados Unidos. O Banco Mundial não merece esse tipo de política, de um falso enfrentamento de esquerda e direita, em que quem discorda é comunista. Tivemos um dano de um ano e meio na Educação”.

Mirando outro nome bolsonarista, o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, Maia afirmou que a equipe econômica do governo foi alertada das perdas que o país vem tendo e poderá ter por conta da gestão da Pasta.

Sobre Moro

Maia também comentou ainda que se Sergio Moro, ex-ministro da Justiça, concorrer à Presidência da República em 2022, seria um forte candidato. Maia considerou que Moro “virou político” e que não considerava isso necessariamente ruim. “Acho bom que ele venha para o debate político, dá legitimidade ao que ele defende. Acho que ele fez até uma boa gestão [no ministério]. Acho que se for candidato [a presidente], é fortíssimo, tem muita chance de chegar ao segundo turno”.

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