Ambiente para eleições municipais não deve favorecer radicalismos

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As eleições municipais deste ano tem um grande potencial de renovação, mas há um pensamento quase unânime de que a antipolítica e a radicalização que nortearam as eleições de 2018 não terão espaço neste pleito. Políticos, cientistas, analistas e marqueteiros avaliam que o cenário está favorável para lideranças e gestores experimentados que tenham algum resultado para mostrar e convencer o eleitorado.

Ainda estamos em um processo de transição política, havendo um resquício de antipetismo e uma perda na capacidade de mobilização do bolsonarismo. Mas as próprias características da eleição municipal deve tratar de neutralizar quase que por completo essas influências. Além disso, as eleições vão ocorrer em um momento de desafios. Os prefeitos e vereadores serão escolhidos em meio a uma crise sanitária que se desdobra em incertezas econômicas, sociais e de saúde, além do desequilíbrio fiscal e as demandas por serviços públicos.

Neste contexto, a polarização, a radicalização e a antipolítica podem abrir espaço para moderação. Em entrevista ao Jornal Opção, o historiador, escritor e comentarista político, Marco Antônio Villa, avaliou que o panorama da eleição de 2020 não dá indicativos de que terá alguma semelhança com o processo de 2018, quando se trata de radicalização e escolha de candidatos “outsiders”.

Para Villa, os candidatos que já exercem liderança, que são experimentados e tem perfil de centro podem sobressair. “Acho que os candidatos chamados moderados tenham sim um pouco mais de chance. Mas eu acho que o desafio, principalmente nos centros urbanos, será discutir os problemas que foram agravados pela maior crise econômica da história e por causa da pandemia”, aponta.

Ainda segundo Villa, a pandemia pode causar um efeito direto nas eleições: abstenção. “Vai haver muito choque entre os resultados das pesquisas e os resultados das urnas, tendo em vista a possibilidade de ter maior abstenção da história”, diz.

O cientista político estadunidense naturalizado brasileiro e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, disse que também acredita em uma participação mais modesta de petistas e bolsonaristas no processo eleitoral, assim, os moderados poderão levar vantagem nas eleições municipais. “O ranço contra o PT era muito forte em 2018. Agora isso está mais distante. Bolsonaro deve manter uma distância das eleições deste ano”, avalia. Na opinião dele, esse ambiente poderá fortalecer os moderados.

Já experiente na realização de campanhas eleitorais o marqueteiro Renato Monteiro, faz uma avaliação favorável aos moderados paras as eleições 2020. Ele diz acreditar que a radicalização entre a esquerda e a direita desde o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef, vai diluir e abrir possibilidades para candidaturas mais moderadas, ao centro.

“A conjuntura política e econômica favorece a mudança, porém, de forma moderada”

As eleições municipais devem também ser marcadas pela busca do equilíbrio, da experiência e da moderação na política, mas com abertura para a radicalização nos planos de governo. Por exemplo, na área como da saúde. A pandemia mostrou que é preciso mais investimentos e planejamento e menos política nessa área. Propostas como de um gerenciamento técnico na saúde, dando lugar às indicações políticas, serão compromissos bem assimilados e cobrados pela população. Ou seja, o perfil político do candidato ou candidata pode ser moderado. Mas há que se radicalizar nas propostas”, avalia Renato Monteiro.

Sobre a possibilidade de nomes sem histórico político se destacarem no pleito municipal, o marqueteiro considera que será mínima. “Há espaço para o novo. Mas não acredito que ocorrerá na mesma proporção em que se deram as eleições de 2018”, afirma.

O publicitário e marqueteiro político, Leo Pereira, diz acreditar que  eleitorado está em um processo de renovação de pensamentos. Neste sentido, o candidato terá que calibrar o discurso e os projetos para conquistar o voto. “Há um esgotamento de projeto e inércia de instituições, não só do executivo, mas também do Legislativo e do Judiciário. Alguns atores não se colocaram a contento em 2018 e o debate ficou em dualidade. Acredito que as eleições municipais possam trazer um amadurecimento desses debate.”

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