Consumidores chineses podem boicotar a Apple se os EUA proibirem o WeChat

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Os consumidores chineses podem boicotar a Apple se os Estados Unidos proibirem o WeChat, alertou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China na sexta-feira, enquanto o relógio avança para uma ordem dos EUA de bloquear o popular aplicativo social.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste mês a proibição, em meados de setembro, do WeChat e de outro aplicativo de propriedade chinesa, o TikTok, acusando-os de ameaçar a segurança nacional, aumentando ainda mais as tensões entre Pequim e Washington.

Mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, tuitou na sexta-feira que “Se o WeChat for banido, então não haverá razão para que os chineses mantenham o iPhone e os produtos da maçã”.

Zhao já havia dito na quinta-feira que “muitos chineses estão dizendo que podem parar de usar iPhones se o WeChat for proibido nos EUA”, e acusou os EUA de “intimidação econômica sistemática de empresas não americanas” ao mirar o aplicativo chinês.

Os comentários marcam uma rara referência direta de Pequim ao boicote a um produto americano e acontecem enquanto as superpotências lutam em várias frentes, incluindo a atividade militar no Mar da China Meridional, Hong Kong e a culpa pelo coronavírus.

Usuários chineses de mídia social na sexta-feira responderam com sentimentos mistos ao aviso de Zhao no Twitter, que está bloqueado na China, mas acessível por meio de um software de rede privada virtual.

“Eu uso a Apple, mas também amo meu país”, disse um usuário da plataforma Weibo semelhante ao Twitter. “Não é um conflito.”

“Não importa o quão boa a Apple seja, é apenas um telefone. Ele pode ser substituído, mas o WeChat é diferente”, argumentou outro usuário. “Os chineses modernos perderão sua alma se deixarem o WeChat, especialmente os empresários.”

Wechat, conhecido na China continental como Weixin, tem mais de 1,2 bilhão de usuários ativos.

A ordem executiva de Trump contra o WeChat força a plataforma a encerrar todas as operações nos Estados Unidos e proíbe os americanos de fazer negócios com ela.

A Apple respondeu por 8% do mercado de smartphones da China no segundo trimestre de 2020, de acordo com a Counterpoint Research, muito atrás da líder doméstica Huawei.

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