Origem do asteroide Bennu possuía rios, segundo novas evidências

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Cheio de novas revelações durante os últimos meses, o asteroide Bennu se tornou o queridinho dos cientistas. Mas isso tem motivos. Em 20 de outubro, a missão OSIRIS-REx, da NASA, coletará amostras do asteroide. Ela os trará para a Terra (sua chegada será apenas em 2023). Agora, com a descoberta de que o pai do asteroide Bennu possuía rios, ele se torna ainda mais fascinante.

Bennu permaneceu quase intocado desde a formação do sistema solar, embora haja uma pequena troca de materiais com outros corpos. De qualquer forma, nem se compara com a quantidade de material recebido pela Terra. Portanto, estudar Bennu nos ajudaria a entender um pouco do passado da Terra. Buscar por elementos químicos por lá traria insights sobre o surgimento da vida em nosso planeta.

Ao final de 2018, OSIRIX-REx entrou na órbita do asteroide. Desde então, coleta dados do alto, e ainda não pousou. Mas o pouso e a coleta de materiais estão próximos. Mas antes de mergulhar no desconhecido, os pesquisadores responsáveis tentam descobrir o que exatamente encontrarão ali, por isso essa demora toda.

O pai de Bennu e os rios

Quando se diz sobre a evidência de rios, não é sobre Bennu em si, mas sobre seus “antepassados”. O asteroide é, em resumo, uma pilha de entulho espacial surgida após o choque de dois outros corpos há muitompo. Os veios de carbonato, evidências da passagem de água corrente, provavelmente são da época em que Bennu ainda não existia. O trabalho foi descrito em uma série de seis artigos, publicados nas revistas Science e Science Advances.

As evidências indicam a presença de material hidratado, ou seja, um pouco de água até os dias de hoje, além de material orgânico. Eles provavelmente estarão presentes na amostra coletada em 20 de outubro. A forma do carbono presente nesse material, conforme acreditam os cientistas, é parecida com a que encontra-se de maneira bastante frequente na matéria orgânica na Terra.

Asteroide Bennu. (Créditos da imagem: NASA / Goddard / University of Arizona).
Rastreando carbonatos

“A abundância de material contendo carbono é um grande triunfo científico para a missão. Agora estamos otimistas de que iremos coletar e retornar uma amostra com material orgânico – um objetivo central da missão OSIRIS-REx”, explica em um comunicado de imprensa Dante Lauretta, principal pesquisador da missão na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

Vale lembrar que a presença de material orgânico não necessariamente representa vida. Material orgânico cria-se também por meios geológicos. E é exatamente essa a origem dos minerais carbonáticos de Bennu – geológica. O intuito não é descobrir vida fora da Terra, mas encontrar os meios pelos quais a vida na Terra surgiu. A matéria orgânica precede a vida, e não o contrário.

Os minerais de carbonato precipitam, comumente, quando em sistemas hidrotérmicos. É dessa forma que eles geram um rastro com a passagem da água, formando os veios. Do alto, esses veios se parecem, então, com linhas brilhantes. É nessa região que o pouso está programado. “Se as veias em Bennu são carbonatos, o fluxo de fluido e a deposição hidrotérmica no corpo pai de Bennu teriam ocorrido em escalas de quilômetros por milhares a milhões de anos”, explicam os pesquisadores em um dos estudos.

Material puro

Além de que a origem do asteroide Bennu possuía rios, os cientistas também descobriram que a região da cratera Nightingale, onde a espaçonave pousará, é bastante virgem. Apenas recentemente ela foi exposta ao espaço, com a desintegração de Bennu. Isso significa que o material é bastante puro, tornando-o consideravelmente fiel ao que era a composição dos corpos da nossa região do sistema solar há milhões ou bilhões de anos. 

As análises do campo gravitacional ainda indicam que a distribuição de matéria por Bennu é bastante irregular. Portanto, algumas regiões provavelmente possuem densidades muito diferentes umas das outras. Os cientistas estão curiosos para compreender um pouco mais sobre Bennu. A sonda deve partir do asteroide em meados de 2021 e chegará na Terra em setembro de 2023.

Os estudos foram publicados nos periódicos Science e Science Advances. Com informações de OSIRIX-REx Asteroid Mission/NASA e Futurism.

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