O planeta inteiro está aquecendo, mas não neste ponto específico

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No meio do Oceano Atlântico existe um ponto em que a Terra está esfriando. O planeta inteiro está aquecendo, mas não neste ponto específico do globo. O “buraco de aquecimento” é facilmente percebido pelos mapas recentes de temperatura da superfície, elaborados pela NASA.

Desde 1900 praticamente todos os oceanos aumentaram 1º Celsius, época em que começaram a absorver o calor gerado pelos humanos. Contudo, nessa região do planeta a temperatura reduziu 0,9ºC, deixando o ar mais frio.

O planeta inteiro está aquecendo
Mapa da temperatura global em 1 de janeiro – 31 de dezembro de 2018. (Imagens: NOAA/ NASA )

Bolha fria sobreviveu aos anos mais quentes da Terra

O buraco de aquecimento fica no Atlântico Norte, um pouco abaixo da Groenlândia. Uma pesquisa publicada recentemente mostrou como essa bolha fria é impressionante. É algo inesperado à medida que a humanidade vai gerando mais calor, ano após ano.

A mudança climática antropogênica muda o circuito do sistema climático”, disse Kristopher Karnauskas, oceanógrafo da Universidade do Colorado Boulder que não teve nenhum papel na pesquisa. “É uma manifestação interessante do perigo que estamos trazendo”, completou ele.

Essa bolha tem sido analisada pelo menos desde 2015, sobrevivendo aos 5 anos mais quentes já registrados na Terra. Segundo o oceanógrafo da NASA, Josh Willis, podem existir diversos mecanismos direcionando o aquecimento desse buraco de aquecimento.

A temperatura na Terra aumentou desde 1900, mas nessa região não, perceba em azul. Quando mais escuro, mais elevação.

O planeta inteiro está aquecendo, mas por que não neste ponto?

O estudo mostrou evidências de que a Circulação Meridional Atlântica de Viragem (AMOC) funciona como uma esteira rolante, levando água tropical quente para o Atlântico Norte. Os pesquisadores acreditam que a desaceleração pode ser motivada pelo derretimento do manto de gelo da Groenlândia, que leva água doce ao Atlântico Norte.

Conforme o principal autor da pesquisa, Paul Keil, há menos calor chegando ao Oceano Atlântico Norte, assim como a água doce ajuda a tirar o nível de salinidade, fazendo com que fique menos densa. Dessa maneira, impede que o fluxo de novos aquecedores tropicais chegue na região.

Os pesquisadores descobriram uma massa de água denominada “giro subpolar”, que envia calor para fora dessa região. O giro em sentido anti-horário envia águas mais quentes para o norte, no Oceano Ártico, sendo um sistema complicado de entender e que deverá ser estudado separadamente.

O buraco fica cada vez mais forte

Durante a pesquisa, a equipe identificou que as superfícies mais fria geram nuvens de baixo nível, algo que reflete a luz solar e esfria ainda mais a região. Dessa forma, o buraco de aquecimento está se fortalecendo, conforme mais nuvens reflexivas são criadas.

As condições climáticas no Atlântico Norte variam bastante de um ano para outro e com o passar das décadas. O planeta inteiro está aquecendo, mas por que nessa região não? Para explicar o fenômeno os pesquisadores tentaram usar um sistema de simulações avançadas.

A partir disso, fizeram simulações do passado, criando mundos artificiais, sem a influência do aquecimento global. Assim, os pesquisadores puderam analisar como as mudanças climáticas influenciaram nesse lugar.

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