Deputados apontam melhora na articulação política com Igor Eto

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O secretário de Governo de Minas Gerais, Igor Eto, tem sido elogiado por deputados estaduais pela sua atuação desde que chegou ao cargo. Ele é considerado uma “surpresa positiva” na articulação política, já que, inicialmente, havia resistência de parlamentares ao seu nome.

A opinião geral mudou e agora alguns deputados avaliam até que declarações recentes do governador Romeu Zema (Novo), como quando ele disse que os servidores estão vivendo na ilha da fantasia, atrapalham o bom relacionamento do governo com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que Igor Eto conseguiu construir nas últimas semanas, dificultando o trabalho do secretário.

Eto assumiu a Secretaria em março, na esteira da crise que resultou na saída do ex-secretário Bilac Pinto (DEM) depois que Zema vetou parte do reajuste negociado com as forças de segurança e aprovado na ALMG.

Na ocasião, a nomeação dele para o cargo, assim como a escolha de Mateus Simões, outro integrante do Novo, para a Secretaria Geral de Estado, foram entendidas como um fortalecimento do partido dentro do governo. Os membros da legenda são vistos como pouco afeitos ao diálogo e à negociação política, o que gerou preocupação entre deputados.

Antes de assumir a articulação política com a Assembleia, Eto atuava como secretário geral, responsável pela coordenação interna entre as secretarias. Na época, ele era alvo de críticas dos parlamentares. Uma das queixas mais recorrentes era de que ele cronometrava o tempo de fala dos deputados nas reuniões de bancada no início do governo. Agora, um deputado disse à reportagem que “da turma do Novo”, o secretário Igor Eto “é o mais habilidoso no trato político”.

A avaliação é corroborada por outros parlamentares, inclusive de blocos independentes, como João Magalhães (MDB). “Apesar de ser novato na política, ele está surpreendendo. Tem demonstrado que sabe ouvir e é aberto ao diálogo”, disse o deputado.

“Ele vem ganhando a confiança do parlamento. E isso vai ser importante na negociação e na aprovação das reformas”, completou, em alusão à reforma da Previdência que deve voltar a tramitar após o fim do recesso parlamentar, em agosto.
De acordo com Magalhães, a atuação de Eto é uma surpresa porque os secretários de Governo anteriores, Bilac Pinto e Custódio Mattos (PSDB) eram mais duros no trato pois já tinham experiência política.

O secretário de Governo é elogiado até pelo líder do bloco Minas Tem História, o deputado Sávio Souza Cruz (MDB), que costuma criticar o governo estadual e alfinetar o Novo. “Ele é muito dedicado, muito disponível e ameno no trato. A dificuldade é a mesma dos antecessores dele: o modo de agir do próprio governo. Se o governo ajudasse, seria bom para ele”, disse o emedebista.

Para o líder do bloco governista, o deputado Gustavo Valadares (PSDB), o secretário, apesar de jovem, entendeu a responsabilidade do cargo e a necessidade de relacionamento transparente entre Executivo e Legislativo.

Oposição faz críticas à articulação da Previdência

Apesar dos elogios de parte dos deputados a Igor Eto, membros da oposição e sindicatos têm reclamado da atuação do governo estadual na Assembleia em relação à reforma da Previdência. As conversas são lideradas pelo secretário de Governo e pelo secretário de Planejamento, Otto Levy.

A principal queixa é que a proposta foi enviada durante a pandemia, quando reuniões estão acontecendo de forma remota e os servidores não podem estar presentes na ALMG. Os sindicatos reclamam também que a proposta não foi apresentada com antecedência ao funcionalismo.

Além disso, parlamentares como a deputada Beatriz Cerqueira (PT) e Ana Paula Siqueira (Rede) reclamaram, durante a tramitação do projeto em comissões da Casa, da ausência de dados sobre o impacto das mudanças no sistema previdenciário e detalhes sobre os cálculos feitos para a definição das alíquotas de contribuição propostas.

A reportagem procurou o líder do bloco Democracia e Luta, André Quintão (PT), e para o líder da minoria, Ulysses Gomes (PT) para saber a avaliação deles sobre a atuação de Igor Eto, mas não obteve resposta dos deputados. 

Pedido de Zema

Por meio de nota, o secretário Igor Eto avaliou que recebeu como pedido do governador Zema o foco no diálogo e na construção de consensos. 

“A política é feita de diálogo e construção de caminhos de consenso. Esse foi o pedido que o governador me fez quando me foi dada a missão de comandar a Secretaria de Governo. O povo de Minas Gerais escolheu os 77 deputados da Assembleia Legislativa e o governador Romeu Zema para liderar a recuperação de Minas, para reerguer o nosso estado. Desta forma, com o desenrolar das articulações e das pautas que estão tramitando na ALMG hoje, entendo que Executivo e Legislativo transitam em harmonia, respeitando suas institucionalidades, dialogando e construindo um futuro melhor para todos em Minas Gerais”, disse Igor Eto.

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