Covas descarta aulas e atividades de reforço em setembro na capital

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O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou hoje que o retorno às aulas de reforço e uso de laboratórios e bibliotecas no município não acontecerá em setembro. A decisão vale para escolas públicas e particulares da capital.

Apesar da liberação do governo estadual para que algumas atividades possam retornar, uma vez que a capital preenche o requisito de estar há mais de 28 dias na fase amarela do plano de reabertura, a administração municipal acredita que uma volta representaria um aumento no número de casos.

Retomada das aulas nesse momento significaria a ampliação do número de casos, a ampliação em consequência do número de internações e de óbitos na cidade de São Paulo. Razão pelo qual não teremos o retorno em setembro como o estado autorizou, com apenas 35% das salas funcionando. Isso não ocorrerá”, disse o prefeito.

A prefeitura da capital apresentou hoje dados do inquérito sorológico. De acordo com os dados, 16,1% dos alunos da rede pública municipal já contraiu a doença causada pelo novo coronavírus. O estudo foi feito com 6 mil estudantes com idade entre 4 e 14 anos.

Um dos resultados que levou a Prefeitura a optar por não reabrir as escolas para aulas de reforço é que 64,4% das pessoas nesta faixa etária são assintomáticas. Covas justificou que estes alunos não apresentariam alteração na temperatura durante a entrada nas escolas. Para completar seu argumento, ele acrescentou que 25% dos estudantes moram em casas com pessoas com 60 anos ou mais —que fazem parte do grupo de risco da covid-19.

Esta combinação permitiria um aumento de casos, internações e mortes. O prefeito ainda declarou que é mais difícil garantir o respeito ao distanciamento social dentro de uma sala de aula do que em uma loja, restaurante ou bar.

“É muito mais complicado manter o distanciamento social dentro da sala de aula, dentro da escola do que em bares, restaurantes, supermercados, lojas, estabelecimentos já autorizados a retornar”, disse Covas.

O prefeito afirmou ainda que, para a retomada das aulas presenciais, o mês de outubro permanece como um “horizonte”. “Ainda temos o horizonte de outubro. Teremos outro inquérito sorológico, com crianças da rede estadual e da rede privada”, disse.

Protocolo para creches

A retomada das atividades nas creches municipais seguirá mais ou menos o mesmo esquema dos demais níveis de ensino. Segundo o secretário de Educação da cidade, Bruno Caetano, esses grupos precisam de alguns protocolos específicos porque são crianças com nenhuma ou quase nenhuma autonomia.

“O distanciamento, neste caso, é muito mais difícil de acontecer, então a gente tem que ter uma redução ainda maior no número de alunos por turma. Também se fazem necessários equipamentos específicos, por exemplo: a secretaria já fez a contratação de serviços de lavanderia para todas as creches municipais para que as roupas desses bebês e crianças sejam higienizadas no período presencial”, explicou Caetano em entrevista à CNN Brasil.

Sindicatos de professores apoiam adiamento

Silvia Barbara, diretora do Sinpro-SP (Sindicato dos Professores de São Paulo), que representa os docentes da rede privada, diz que a decisão da prefeitura por não aderir à abertura parcial das escolas em setembro é “acertada”. “Ele [Covas] havia dito no começo [da pandemia] que seria a saúde, e não a educação, que iria definir [a volta]”, afirma.

Na avaliação dela, a gestão Doria cedeu à pressão das escolas particulares ao adiar o retorno das aulas presenciais, mas liberar uma abertura parcial em setembro para a realização de atividades de reforço e acolhimento.

“Para nós, desde o começo, a volta tinha que estar relacionada a questões de segurança. Tanto para alunos como para funcionários e professores”, diz.

Presidente licenciado do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo), o vereador Claudio Fonseca (PPS) afirma que a decisão da prefeitura é “oportuna e responsável”. Na avaliação dele, uma reabertura parcial, em setembro, faria com que a responsabilidade recaísse sobre as famílias.

Fonseca defende ainda que não haja retorno das atividades presenciais nas escolas neste ano. Para ele, o segundo semestre de 2020 deve ser utilizado “para execução das medidas necessárias para garantir condições [de segurança] para as unidades escolares, seus profissionais de educação e alunos, quando houver o retorno”.

Arthur Fonseca Filho, diretor da Abepar (Associação Brasileira de Escolas Particulares), diz acreditar que os anúncios do governo estadual e da prefeitura de São Paulo são “conflitantes”. Ele reforça que este é seu posicionamento pessoal, e não da associação, já que os associados ainda devem se reunir para discutir o tema.

“O governo estadual anunciou para o estado como um todo a possibilidade de atuação [das escolas] nas regiões que estivessem em zona amarela, por mais de 28 dias, a partir de 8 de setembro”, diz. “Hoje, o município entende que isso não deva acontecer, em uma região que está há mais de 28 dias [na fase amarela] e que segue, até agora, o Plano São Paulo como um todo. Com relação às escolas, [a prefeitura] faz um anúncio conflitante”, afirma.

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