Cidade maravilhosa pede redenção da corrupção enraizada

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Novamente o país é alvo daqueles usam o “jeitinho brasileiro” para se dar bem de maneira ilícita. Como se não bastasse todo o caos da pandemia, Witzel é o sexto governador investigado por corrupção no Rio de Janeiro, completando três décadas de sucessões desastrosas no estado.

Desde a redemocratização, o Rio foi governado por Leonel Brizola (eleito em 1982 e 1990); Moreira Franco (1986); Nilo Batista, que assumiu após a renúncia de Brizola, em abril de 1994; Marcello Alencar (1994); Anthony Garotinho (1998); Benedita da Silva, que assumiu quando Garotinho renunciou para concorrer à Presidência da República, em abril de 2002; Rosinha Matheus (2002); Sérgio Cabral (eleito em 2006 e 2010); Luiz Fernando Pezão, que assumiu em virtude da renúncia de Cabral, em abril de 2014, e foi reeleito em outubro de 2014 e Wilson Witzel, eleito em 2018. Todos os eleitos, que ainda estão vivos, foram acusados de corrupção.

No governo atual, Witzel é acusado de ser o líder de um esquema que fraudou contratos estabelecidos pelo governo estadual para ações de combate a pandemia. Ele foi afastado do cargo e sua mulher, a advogada Helena Witzel, foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão. Também suspeita de participar do esquema, utilizando seu escritório de advocacia para fazer lavagem de dinheiro, através de contratos de fachada. Durante as investigações, foram identificados depósitos para o escritório de advocacia da primeira-dama por quatro empresas, sendo três delas do empresário Mário Peixoto que foi preso na Operação Favorito. Outra prova, são trocas de e-mails entre Witzel e a mulher sobre contratos de fachada.

Vale lembrar que a mesma acusação já havia sido feita à advogada Adriana Ancelmo, mulher de Cabral. A ex primeira dama, cumpre atualmente condenação de quase 13 anos em regime domiciliar. Para o procurador Eduardo El Hage, coordenador da operação, “o esquema é o mesmo, só mudaram os personagens”. O esquema que culminou na prisão dos ex governadores, Sergio Cabral e Luiz Fernando Pezão, também se utilizava de escritório de advocacia para lavar recursos públicos sem fazer prestação de serviço e posterior pagamento de propina aos políticos.

Além dos crimes citados, os promotores investigam se Witzel cometeu crime de peculato, usando funcionando públicos para a reforma de uma de suas casas. Através de um documento de 416 páginas, o ministério público afirma que o Rio viu criado, ao redor da cúpula do Executivo, uma verdadeira joint venture criminosa e o pedido de prisão mostra contratos fictícios, negócios ilícitos com empresários e lavagem de dinheiro.

É inadmissível que nos acostumamos com esse tipo de situação, ainda mais quando levamos em consideração que não é a primeira vez que um governador do Rio de Janeiro está envolvido em tais práticas. O que leva os governantes a praticar atos de corrupção? A possibilidade de dinheiro fácil? A certeza da impunidade? Independente da resposta, temos que rever as leis brasileiras e aplicar penas mais severas, até para que possa servir de exemplo para quem ousar a se aproveitar de um momento difícil como o que estamos passando atualmente devido a pandemia.

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