Covid-19: Internações em UTIs de Porto Alegre caem 10% em uma semana

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Apesar do sinal positivo, flexibilizações recentes ainda podem ter impacto nos próximos dias

O número de pacientes com covid-19 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de Porto Alegre manteve a sequência de queda verificada nos últimos dias e chegou nesta sexta-feira (11) a 310 doentes até as 17h — 10,7% a menos do que o registrado uma semana antes.

Os quatro dias seguidos de recuo nas hospitalizações também reduziram a média semanal de internações diárias, que ficou 3,2% abaixo do período anterior. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) afirma que ainda é preciso esperar até a semana que vem para avaliar o impacto de flexibilizações recentes como a abertura por mais tempo de comércio e restaurantes.

Até as 17h, apenas os hospitais Ernesto Dornelles e Divina Providência ainda não haviam inserido as informações mais recentes no painel de monitoramento. A diminuição no universo de doentes sob tratamento intensivo é vista pelo secretário adjunto da Saúde do município, Natan Katz, como mais um indicador de que a pandemia se encontra estabilizada na Capital. Outros índices monitorados pela prefeitura, como demanda por atendimento ambulatorial, até indicam uma possível tendência de queda, mas ainda não há como garantir que isso vai se confirmar e se refletir nas UTIs

 Faz cerca de uma semana que foram permitidas novas flexibilizações, como abertura do comércio aos sábados e funcionamento dos restaurantes à noite. Um eventual impacto disso ainda poderia ser sentido na semana que vem — observa Katz.

A expectativa é de que mesmo um possível aumento na circulação do vírus não seja tão significativo como em flexibilizações anteriores, já que atualmente há mais pessoas que se contaminaram e que por isso, em tese, estariam imunizadas.

O epidemiologista e gerente de risco do Hospital de Clínicas, Ricardo Kuchenbecker, avalia que a Capital pode demorar um pouco mais do que outras cidades para experimentar uma queda significativa na ocupação das UTIs por também receber pacientes de outros municípios.

— Ainda faltam mais dias (de observação) para podermos falar que há uma tendência de queda. Para isso, é preciso uma semana, 10 dias. Mas confirma um cenário de estabilização — analisa o epidemiologista do Clínicas.

O recuo dos últimos dias, apesar de ainda não ser suficiente para apontar uma queda sustentada, é uma boa notícia quando se leva em consideração que, no começo do mês, a hospitalização de pacientes graves havia alcançado o número mais elevado desde o início da pandemia. Nos dias 2 e 4 de setembro, havia 347 pessoas em UTIs da Capital.

No final da tarde desta sexta, os hospitais registravam uma taxa geral de ocupação de 88,4%. Somente o Moinhos de Vento se encontrava lotado.

A diminuição nas hospitalizações alterou as projeções de quando a cidade poderia atingir o teto de 383 leitos destinados ao tratamento da covid — e que representam o esgotamento do sistema. Nesta sexta, as projeções realizadas com base nos últimos sete dias indicavam que esse patamar não seria alcançado em qualquer momento. Um novo aumento nas internações, porém, pode mudar essa estimativa.

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