Huck ataca extremos, diz que precisa ‘ir além’ e convoca ‘projeto de nação’

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O apresentador Luciano Huck, que é cogitado como candidato a presidente do Brasil na eleição de 2022, falou sobre a realidade do país em um artigo publicado pela revista Veja. Ele atacou “extremos antidemocráticos” e sugeriu a criação de um “projeto de nação” para que o país possa melhorar a partir de 2021.

Huck destacou a gravidade da crise sanitária causada pela pandemia de covid-19 e afirmou que, em 2020, o Brasil viu “toda sorte de maluquices, ataques à ciência, à democracia e às liberdades, desorganização total, mortes em números de zona de guerra”.

O apresentador ainda escreveu que o Brasil precisa usar as experiências de 2020 para aprender sobre o futuro. E destacou três sugestões de ensinamentos para o país: escutar, se unir e agir.

“O primeiro desses ensinamentos-convites é o de escutar. Escutar quem não tem sido ouvido. Escutar quem estudou. Escutar quem pensa diferente de você”, afirmou ele, sugerindo que o Brasil faça isso em relação à pandemia e também sobre os cuidados com a Amazônia.

Sobre a união, Huck sugeriu que é preciso superar discordâncias. Ele afirmou que isso não é utópico e citou projetos criados por governos do PSDB e do PT que surgiram por meio de “políticas públicas pactuadas e executadas a várias mãos”: Plano Real, Bolsa Família, SUS e Lei Maria da Penha.

“O segundo ensinamento-convite que proponho é o de juntar as pessoas, reunir as melhores ideias e buscar consensos. Tem muita gente decente no Brasil com vontade genuína de contribuir para fazer um país melhor. Uns dirão que isso é utópico, que as lutas (de classes?) do dia a dia jamais permitirão convergências. Conversa fiada — tão conveniente àqueles, aliás, que prosperam justamente com o imobilismo”, analisou Huck.

“Reagrupamento político” Em uma análise sobre estratégias políticas e partidos, o global afirmou que os resultados das eleições municipais, assim como a candidatura de Baleia Rossi (MDB) à presidência da Câmara dos Deputados, mostram que é possível fazer um “reagrupamento político”. “Numa conversa recente, a historiadora Anne Applebaum fez para mim a defesa de um reagrupamento político e da instalação de uma contranarrativa com o objetivo de deter os extremos antidemocráticos. Um chamado que considero irresistível e que conta com ventos a favor. Amém!”, escreveu. Nas últimas eleições municipais, as capitais e as maiores cidades rejeitaram inapelavelmente a polarização política.

“Preciso ir além”

Luciano Huck chegou a ser cotado como candidato à presidência já em 2018. Desde então, ele nega sua entrada na política, mas cada vez mais, vem participando do debate social.

“Neste momento tenso da história do Brasil, cheio de instabilidades, é normal que especulações e interpretações equivocadas apareçam por todos os lados. Existe uma vontade pessoal minha de atuar na construção de um futuro mais próspero e justo para a nossa sociedade. Essa vontade já é bastante notória”, afirmou Huck, que listou movimentos seus, pessoais ou de seu programa, realizados em 2020.

O apresentador citou que participou de iniciativas com a Cufa (Central Única das Favelas), contribuiu para “erguer pontes entre a iniciativa privada e comunidades desassistidas” e apoiou campanhas antirracistas. Por fim, afirmou que pretende “ir além em 2021” e comentou sobre a necessidade de elaborar um “projeto de nação” para o crescimento do país.

Como cidadão, tento contribuir com meu país até onde minha voz alcança. Consciente da violência, dor e desfuncionalidade do ano que passou, concluí que preciso ir além em 2021. Luciano Huck

“A gente precisa de um país mais eficiente e afetivo, em que as pessoas tenham o direito de sonhar e as oportunidades não sejam determinadas pela cor da pele ou pelo CEP de nascimento. Uma nação com mais formaturas e menos funerais. Temos de arregaçar as mangas das nossas camisas, pisar firme no chão da realidade e elaborar um projeto de nação que faça o Brasil liderar agendas globais.”

Encontros com políticos

No ano passado, Luciano Huck teve encontros com personalidades políticas como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM).

Huck também vem criticando com frequência decisões e declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de integrantes do seu governo. Em 2018, ele não manifestou apoio por nenhum candidato no segundo turno, mas disse que jamais votaria no PT, à época representado por Fernando Haddad na disputa contra Bolsonaro.

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