BH segue com o funcionamento do comércio, mas adia volta às aulas

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A Prefeitura de Belo Horizonte decidiu, nesta quarta-feira (3), manter o funcionamento do comércio e das atividades não essenciais na capital. A decisão foi tomada após reunião do prefeito Alexandre Kalil (PSD) com o Comitê de Enfrentamento à Pandemia na cidade.

A única mudança será nos planos do retorno às aulas. A PBH havia prometido para esta semana uma decisão sobre à volta das atividades presenciais na rede municipal para a educação infantil. Porém, essa deliberação vai ficar para a próxima semana, quando o comitê voltará a discutir o tema levando em consideração os números de transmissão e da ocupação das UTIs no município. 

“Optamos por esperar mais um pouco. Belo Horizonte está em uma situação um pouco mais confortável pelas medidas restritivas no início do ano. Estamos monitorando 24 horas por dia, então, a concepção de hoje pode não ser a de amanhã. A qualquer movimento negativo podemos mudar tudo”, avalia o médico infectologista, membro do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 na capital, Estevão Urbano.

Sobre a volta às aulas, o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, ressaltou que é preciso cautela. “Temos observado um aumento do número de casos em pessoas mais jovens, achamos prudente aguardar mais uma semana com monitoramento constante dos dados para que possamos definir com mais clareza qual será o impacto da circulação dessas crianças na cidade durante a pandemia”, afirmou. 

Pelo terceiro dia consecutivo, as taxas de ocupação de leitos de UTI específicos para a Covid-19 continuam em nível de alerta em Belo Horizonte. Segundo o boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde nesta quarta-feira (3), o índice está em 75%. A taxa se manteve em vermelho e pelo quarto balanço seguido ficou acima dos 70%, que é considerado crítico pela escala de risco. 

O número médio de transmissão por infectado (RT) se manteve em relação ao último boletim, mas também continua em estado de alerta máximo. O índice está no nível vermelho, em 1,20. Essa é a maior taxa de transmissão por infectados desde maio. Há uma semana, esse índice estava em 0,94, no patamar verde de risco. Já a taxa de ocupação de leitos de enfermaria está em 59,4%, em nível amarelo.

“Temos observado o RT com média de 1,20 na semana, mas a média diária tem caído gradativamente. Assim, temos certo conforto de aguardar pelo menos alguns dias antes de tomar decisões mais drásticas e penalizar quem não precisa ser penalizado”, explicou Jackson Machado.

Segundo o secretário, a expectativa é que os números melhorem na semana que vem. “Se os números melhorarem, como parece que vai acontecer, nós podemos voltar às escolas para as crianças menores de 5 anos, mas se houver qualquer piora podemos fechar de novo a qualquer momento”, pontuou.

Nesta quarta-feira (3), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), confirmou a criação da onda roxa no programa Minas Consciente, mais restritiva que as demais, o equivalente a um lockdown. A medida atingirá as regiões Noroeste e Triângulo Norte, incluindo as cidades de Uberlândia e Patos de Minas. 

De acordo com o secretário de BH, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) dá autonomia às prefeituras em suas decisões. Belo Horizonte não faz e nem pretende fazer parte do programa do governo estadual. “Não vejo porque devemos seguir agora o programa. Quando foi para fechar a cidade, Belo Horizonte foi uma das poucas cidades que fechou. As outras cidades estão agora pagando o preço por não terem fechado quando deveriam ter fechado”, argumentou Jackson Machado. 

Para o infectologista Leandro Curi, a decisão da prefeitura de Belo Horizonte em manter o funcionamento das atividades não essenciais é arriscada. “Acredito que a PBH fique entre a cruz e a espada, sofra pressão de todos os lados. A região sudeste está um pouco mais confortável que o restante do país, mas é uma decisão difícil, arriscada. O país como um todo precisa se segurar”, avalia. 

Segundo o médico, a responsabilidade, no entanto, não é só do poder público. “BH foi uma cidade pioneira, acredito na competência do comitê, que avalia esses dados semanalmente. A questão é que a proteção vai muito da responsabilidade individual, não adianta culpar o prefeito de não fechar a cidade se você se aglomera e não toma as medidas necessárias”, pontua. “O poder público auxílio, mas os atores da tragédia somos nós, não dá para transferir responsabilidade”, defende. 

Fiscalização

Apesar de manter o funcionamento das atividades, Jackson Machado afirmou que as fiscalizações serão reforçadas em Belo Horizonte. “A ordem agora é não multar, é fechar a porta de quem não estiver obedecendo as regras”, destacou. 

Toque de recolher

Nesta semana, diante do agravamento da pandemia da Covid-19 no Brasil, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) recomendou a adoção de medidas drásticas e urgentes contra o iminente colapso das redes pública e privada de saúde. O toque de recolher diário das 20h até as 6h é uma das ações recomendadas pelo Conselho para evitar que pacientes morram sem atendimento médico.

Para o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, a medida só seria possível na capital se os municípios vizinhos aderissem. Atualmente, 68% das pessoas em BH que estão internadas com covid não são do município. “Não podemos penalizar Belo Horizonte ao mesmo tempo em que outras cidades não adotem o mesmo procedimento. É importante que todos tenham uma posição comum. Se isso for uma postura geral podemos adotar, mas BH isolado não”. 

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