Eleições se constroem nas redes sociais
Cada vez mais próximo das eleições presidenciais de 2022, o cenário aos poucos se delineia e as estratégias. Jair Bolsonaro (sem partido), assim como ocorre desde antes da campanha de 2018, tem as redes sociais como sua principal aliada. Em contrapartida, o ex-presidente Lula (PT) atua em articulações e pautas políticas de modo a se fortalecer cada vez mais com as fraquezas de seu adversário.
Segundo o diretor do Quaest Consultoria & Pesquisa, Felipe Nunes, o fato de o atual presidente ter se forjado na lógica digital ainda como pré-candidato para 2018 explica seus atuais 42,8 milhões de seguidores (39,4 milhões somente com a soma de Facebook, Twitter, Instagram e YouTube), frente aos 10,3 milhões de Lula, nas mesmas redes.
Dados levantados pelo sistema analítico Bites mostram que a alta desses números ganhou expressividade a partir do momento em que o Senado aprovou a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, em abril deste ano. Com mais de 226 mil novos inscritos, a audiência digital desde então só esteve em ascensão e seus perfis aumentaram suas interações – que se consistem no ato de curtir, comentar, compartilhar ou salvar de algum modo a informação disponibilizada pelo usuário.
O Índice de Popularidade Digital calculado pelo Quaest Consultoria & Pesquisa também mostra a vantagem que Bolsonaro apresenta digitalmente em relação a Lula, especialmente após a volta do auxílio emergencial e das motociatas. “Lula tem apostado menos nessa estratégia de mobilização. Até mesmo para se diferenciar de Bolsonaro, ele não pode fazer manifestações de rua que tenham aglomeração. Ele tem privilegiado uma agenda mais política e com isso nós vemos uma diferenciação no desempenho desse ambiente”, pontua Felipe.
Essa vantagem digital de Bolsonaro, para Felipe, se justifica por ele se constituir um candidato natural de mobilização. “Ele constrói pautas voltadas para mobilizar as pessoas, engajar e fazer com que elas se sintam motivadas a compartilhar seus conteúdos com seus amigos, conhecidos e sua rede em geral. A força política dele vem da relação direta que ele construiu com o seu eleitorado. É uma outra dinâmica. Essa é uma vantagem clara que o bolsonarismo tem”, detalhou.