Chefe da AIE alerta que a atual crise energética causada pela guerra na Ucrânia afetará o mundo inteiro e será muito pior do que as anteriores

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O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que a atual crise energética causada pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia afetará o mundo inteiro e será muito pior do que as vividas no passado.

Em entrevista à revista alemã Der Spiegel publicada na terça-feira, Birol  explicou que o mundo enfrenta simultaneamente uma crise de petróleo, gás e eletricidade, o que está agravando o problema.

“Antes da invasão da Ucrânia, a Rússia era uma pedra angular do sistema energético global: o maior exportador de petróleo do mundo, o maior exportador de gás do mundo, um dos maiores fornecedores de carvão. Esta crise energética é muito maior do que a crise do petróleo do ‘ anos 70 e 80. E provavelmente vai durar mais”, disse ele.

“Os mercados de petróleo podem ficar apertados no próximo verão. Quando a temporada de férias começar na Europa e nos EUA, a demanda por combustível aumentará. Isso pode levar à escassez de diesel, gasolina ou querosene, especialmente na Europa”, acrescentou. 

Referindo-se à dependência da Europa do gás russo e ao risco de escassez, ele previu que a situação energética pode se tornar difícil no inverno. “É muito possível que o gás tenha que ser racionado: especialmente em estados que dependem principalmente do abastecimento russo”, disse o diretor da AIE, acrescentando que, embora os depósitos europeus estejam mais cheios do que há alguns meses, isso não é suficiente. “Estamos em tempos de guerra, em crise energética, e seria melhor nos prepararmos para o pior”, alertou.

Possibilidades para a Europa e as suas reservas estratégicas

Ele também mencionou três possíveis “surpresas” que poderiam aliviar a situação do mercado de petróleo bruto. “Primeiro: a economia chinesa continuará enfraquecendo, neste caso, a demanda da China por petróleo nos mercados mundiais cairá. Segundo: um acordo nuclear com o Irã é alcançado, neste caso, um adicional de 1,2 milhão de barris poderia chegar ao mercado em um Terceiro: alguns produtores do Oriente Médio, como a Arábia Saudita, vão aumentar suas cotas de produção. Mas, como eu disse, qualquer uma dessas três opções seria uma surpresa. Não devemos confiar nelas”, disse.

Birol acrescentou que a AIE já publicou um plano para reduzir o consumo de combustível, que inclui limitar o tráfego de carros nas cidades aos domingos, reduzir os custos do transporte público e limitar a velocidade nas rodovias.

Quando questionado sobre as reservas estratégicas de petróleo do Ocidente e seu uso em casos de emergência, Birol disse que a AIE está preparada para abri-las, mas a decisão teria que ser tomada em conjunto pelos 31 países membros da organização. Estas reservas só foram abertas cinco vezes nos últimos 50 anos, duas delas nos últimos meses, o que “mostra a profundidade desta crise energética”, concluiu.

Por sua vez, o professor da Universidade Complutense de Madri, Pablo Sapag, acredita que as sanções da UE têm uma função de propaganda e garante que o cálculo de Bruxelas não é muito prospectivo diante das divisões presentes no bloco.

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