Defesa da democracia, das instituições e reação às fake news mostram efeito contrário ao pretendido por extremistas
As manifestações antidemocráticas recentes e a onda de fake news que se espalhou pelo país nos últimos meses tiveram efeito contrário ao pretendido pelos grupos de extremistas que apoiam o governo Jair Bolsonaro. A reação da maioria da população em defesa da democracia ficou evidenciada nesta última rodada de pesquisas do instituto Datafolha.
Nos números divulgados nesta segunda-feira (29) pelo instituto, 81% dizem que espalhar fake news contra políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ameaça a democracia.
A pesquisa aponta ainda que manifestações de rua contra o Judiciário e o Legislativo são vistas como risco democrático por 68%, ante 29% que não acham isso.
Além disso, no fim de semana, o instituto divulgou que 75% dos brasileiros apoiam a democracia, o maior número da série histórica. A pesquisa foi feita em 23 e 24 de junho, por telefone, com 2.016 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Diante de atos que pediam a intervenção militar, o fechamento do STF e do Congresso Nacional por apoiadores do presidente Bolsonaro, houve uma forte reação institucional, a começar pela unidade dos ministros da Suprema Corte brasileira. Ao mesmo tempo, entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Confederação Nacional dos Bispos do Brasi (CNBB) retomaram bandeiras históricas em defesa da democracia.
Mais de três décadas depois da redemocratização, o país voltou a debater sobre o que foi a ditadura militar, com suas características mais sombrias como torturas, assassinatos, cassação de mandatos, censura. Os brasileiros mais jovens, que não vivenciaram esse período, passaram a discutir o tema. E o resultado foi uma rejeição majoritária desse regime no país.
Ao mesmo tempo, nos últimos fins de semana, a ausência do presidente Bolsonaro das manifestações antidemocráticas é uma sinalização de trégua. Já havia um movimento nesse sentido depois da forte reação do STF contra as fake news e em defesa das instituições.
Por fim, a prisão de Fabrício Queiroz, num imóvel do agora ex-advogado da família Bolsonaro, deixou o presidente na defensiva. Queiroz foi assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) quando ele exercia mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro. Resta saber se essa trégua estabelecida pelo presidente Bolsonaro será de longa duração.