Desmatamento na Amazônia atinge o máximo em 12 anos
A destruição da maior floresta tropical do mundo em 2020 aumentou 9,5% em relação ao ano anterior, de acordo com dados do governo.
O desmatamento na floresta amazônica do Brasil atingiu um pico de 12 anos em 2020, dados oficiais do governo mostraram na segunda-feira, com destruição crescente desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo e enfraqueceu a fiscalização ambiental.
Em 2020, a destruição da maior floresta tropical do mundo aumentou 9,5 por cento em relação ao ano anterior para 11.088 km² (2,7 milhões de acres), de acordo com dados da agência nacional de pesquisas espaciais Inpe, sete vezes o tamanho de Londres.
Isso significa que o Brasil perderá sua própria meta, estabelecida pela lei de mudança climática de 2009, de reduzir o desmatamento para cerca de 3.900 km². As consequências do não cumprimento da meta não estão previstas na lei, mas podem deixar o governo aberto a ações judiciais.
A medida anual oficial, conhecida como PRODES, é feita comparando as imagens de satélite do final de julho de 2020 com as do início de agosto de 2019. Essas datas são escolhidas para coincidir com a estação seca da Amazônia, quando há menos cobertura de nuvens para interferir com os cálculos.

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e sua proteção é crucial para impedir uma mudança climática catastrófica devido à grande quantidade de dióxido de carbono que absorve.
A última destruição anual é um aumento substancial dos 7.536 quilômetros quadrados que foram desmatados em 2018, um ano antes de Bolsonaro assumir o cargo.
Enquanto os ambientalistas culparam o governo pelo aumento, as autoridades federais saudaram os números como um sinal de progresso no combate ao desmatamento, já que o aumento foi muito menor do que o aumento de 34 por cento registrado em 2019.
Embora não estejamos aqui para comemorar, isso significa que os esforços que estamos fazendo estão começando a dar frutos”, disse o vice-presidente Hamilton Mourão aos jornalistas na sede do Inpe, na cidade satélite de São Paulo, São José dos Campos.
Bolsonaro enfraqueceu o Ibama, órgão de fiscalização ambiental, e pediu a introdução de mais agricultura comercial e mineração na região amazônica, argumentando que isso tirará a região da pobreza. Defensores do meio ambiente disseram que isso encorajou fazendeiros ilegais, mineradores e grileiros a derrubar a floresta.
“Os números do PRODES mostram que o plano do Bolsonaro deu certo. Eles refletem o resultado de uma iniciativa bem-sucedida para aniquilar a capacidade do Estado brasileiro e dos órgãos de fiscalização de cuidar de nossas florestas e combater o crime na Amazônia ”, afirmou em nota a organização não governamental brasileira Observatório do Clima.
A principal resposta política do presidente ao clamor global sobre a destruição da Amazônia tem sido enviar militares, que foram destacados pela primeira vez em 2019 e devem permanecer na região lutando contra o desmatamento e incêndios florestais até abril de 2021.
Mais recentemente, o desmatamento diminuiu de julho a setembro em comparação com os mesmos meses do ano anterior, segundo dados preliminares do Inpe, mas voltou a aumentar em outubro.
Líderes europeus, como o presidente francês Emmanuel Macron, criticaram ferozmente o Brasil, argumentando que ele não está fazendo o suficiente para proteger a floresta. A vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos levantou a possibilidade de que os EUA também aumentem a pressão sobre o Brasil sobre a floresta tropical.
Biden disse em um debate que o mundo deveria oferecer dinheiro ao Brasil para financiar os esforços para conter o desmatamento e ameaçou consequências econômicas para a nação latino-americana se não o fizesse. O comentário atraiu críticas ferozes de Bolsonaro, que disse que era uma ameaça contra a soberania do Brasil.