Dólar fecha em forte queda e volta para a marca de R$ 5,11

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Ambiente global mais favorável ao enfraquecimento da moeda americana e sinais de alívio na cena política contribuíram para o movimento

Pelo segundo dia consecutivo, o dólar comercial teve forte queda contra o real e, assim, voltou para a marca de R$ 5,11. O movimento é algo bem diferente do que se observou durante boa parte do ano quando a divisa americana disparou e ficou bem perto de atingir R$ 6. Assim, qualquer movimento de alívio mais robusto na moeda americana chama a atenção do mercado brasileiro.

Desta vez, o ambiente global mais favorável ao enfraquecimento da moeda americana e sinais de alívio na cena política contribuíram para o movimento. O que também salta aos olhos é o fato de que o desempenho do real nos últimos dias é bem mais favorável do que outros pares globais. Com isso, há uma reversão parcial da dinâmica que vinha prevalecendo no mercado há bastante tempo e que deixou o real com um prêmio de risco robusto em comparação com outras moedas.

Hoje, o dólar comercial recuou 1,80%, aos R$ 5,1161, depois de tocar R$ 5,0836 na mínima do dia.

Para o economista-chefe da Exploritas Investimentos, Andrei Spacov, o movimento é justificado por uma série de fatores, que vão desde a dinâmica global das moedas até o valor descontado da divisa brasileira, além de sinais de melhora no clima político em Brasília. “Nas minhas contas, o câmbio real do Brasil está com um desconto de 30% em relação ao preço sugerido pelos termos de troca”, aponta o especialista. Esse número leva em consideração o valor do real contra diversas moedas, descontada a inflação de cada país, além de dados comerciais de importação e exportação.

Para efeito de comparação, o desconto chegou a 40% nos picos da crise atual, mesmo patamar de 2002. E mesmo agora, ainda está acima dos piores momentos de turbulência no governo de Dilma Rousseff, de 20%. “Não vai zerar esse desconto, mas é razoável esperar que volte para nível do governo Dilma em um ritmo relativamente rápido. Tem 10 pontos de ‘underperfomarnce’ que pode voltar até o fim do ano, por exemplo”.

Do ponto de vista externo, o anúncio do pacote de socorro da União Europeia impulsionou o euro contra o dólar a níveis que não eram vistos desde 2018. E esse movimento resultou numa fraqueza global da divisa americana, o que favoreceu moedas emergentes. Por aqui, a moeda brasileira também se beneficia de sinais mais favoráveis da agenda de reformas em Brasília e a perspectiva de um fim iminente da queda da Selic.

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