Japão alerta para guerra semelhante à Ucrânia

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O primeiro-ministro Fumio Kishida disse que Tóquio é contra o uso da força na região

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, alertou que uma guerra no estilo ucraniano pode eclodir no leste da Ásia. Ele disse que a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan são críticas para Tóquio e para a comunidade internacional.

Devemos colaborar com nossos aliados e países com ideias semelhantes e nunca tolerar uma tentativa unilateral de mudar o status quo pelo uso da força no Indo-Pacífico, especialmente no leste da Ásia”, disse Kishida durante uma reunião com seu colega britânico Boris. Johnson em Londres na quinta-feira.

“A Ucrânia pode ser o leste da Ásia amanhã”, acrescentou o primeiro-ministro japonês.

Kishida disse que o Japão continua comprometido com as questões em torno de Taiwan, que Pequim quer colocar sob seu controle, a serem resolvidas por meio do diálogo.

A ilha elevou o nível de alerta logo depois que a Rússia atacou o país vizinho no final de fevereiro. O ministro das Relações Exteriores, Joseph Wu, expressou esperança no sábado de que a China seja sancionada se ameaçar a ilha com força ou invadi-la. Taiwan e China se acusaram anteriormente de aumentar as tensões na região.

Pequim descartou as comparações de Taiwan com a Ucrânia na época como inadequadas. Respondendo às recentes declarações de Kishida na sexta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, disse: “Se o lado japonês é sincero em manter a paz e a estabilidade no leste da Ásia, deve parar imediatamente de provocar confrontos entre os principais países”.

No mês passado, citando a campanha militar russa na Ucrânia, entre outras razões, o Partido Liberal Democrático (LDP) do Japão apresentou uma proposta para atualizar as Diretrizes do Programa de Defesa Nacional, o principal documento de estratégia militar do país. De acordo com a mídia japonesa, a medida inclui mudanças que permitiriam ao Japão adquirir “capacidades de contra-ataque” para atacar bases inimigas e centros de comando.

Em dezembro, os EUA e o Japão elaboraram um plano militar de emergência em resposta a um potencial conflito entre a China e Taiwan, segundo a Kyodo News. A China já havia acusado o Japão de se intrometer em questões de Taiwan, que considera assuntos domésticos.

O almirante Samuel Paparo, comandante da Frota do Pacífico da Marinha dos EUA, disse em abril que Pequim estava estudando o conflito Rússia-Ucrânia e que, nas atuais circunstâncias, uma possível invasão de Taiwan seria “altamente imprevisível”. 

A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss, disse no final do mês passado que “uma OTAN global” precisa armar Taiwan, assim como armou a Ucrânia, entre outros requisitos.

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