Líbia tem mais de 11.300 mortos, país da África está a viver uma ‘calamidade de proporções épicas’, após a tempestade Daniel
Teme-se que até 20 mil pessoas tenham morrido depois das violentas inundações que atingiram o leste da Líbia.
O número de mortes na líbia chegou a marca triste de 11.326 mortes e 7 mil feridos.
O país do Norte de África está a viver uma “calamidade de proporções épicas”, afirmou a ONU, mas será que as coisas tinham de ser assim?
Outrora um dos países mais prósperos de África, anos de ilegalidade tornaram-no num Estado frágil e dividido – mal preparado para lidar com as forças desencadeadas por uma catástrofe natural.
A grande maioria das mortes causadas pelas inundações ocorreu em Derna – uma cidade emblemática do colapso da Líbia. Há décadas que recebe poucos investimentos e um ministro do governo da zona admitiu que uma das barragens que rompeu não teve manutenção “há algum tempo”.
Um país, dois governos
A Líbia tem sido assolada pelo caos desde que forças apoiadas pela aliança militar ocidental, NATO, derrubaram o governante de longa data, coronel Muammar Gaddafi, em Outubro de 2011.
O país rico em petróleo já teve um dos padrões de vida mais elevados de África, com cuidados de saúde e educação gratuitos, embora Gaddafi dirigisse um regime implacável que tinha pouco tempo para críticas.
Desde a queda de Gaddafi, a Líbia está dividida entre dois governos rivais e atolada em conflitos entre numerosas milícias diferentes.
O primeiro-ministro Abdul Hamid Dbeibah lidera o Governo de Unidade Nacional apoiado pela ONU em Trípoli, a capital ocidental da Líbia.
Dbeibah assumiu o cargo em 2021 como parte de um acordo mediado pela ONU que deveria levar a eleições dentro de alguns meses. No entanto, estas ainda não foram realizadas em meio a disputas entre os políticos rivais.
Uma administração rival, conhecida como Câmara dos Representantes, é responsável pelo leste da Líbia, que inclui as áreas mais afetadas pelas inundações. Também controla muitas áreas do sul, que são em sua maioria desertos desabitados.
Osama Hamad é o primeiro-ministro do leste, baseado na cidade portuária de Tobruk, a 1.000 km (620 milhas) de Trípoli.
No entanto, muitos sentem que o poder ali é realmente detido pelo homem forte militar Gen Khalifa Haftar, que lidera uma poderosa milícia chamada Exército Nacional da Líbia e é aliado do Egipto, dos Emirados Árabes Unidos e da Rússia.