Rússia minimiza agitação da Agência Judaica e critica Israel por guerra na Ucrânia a medida que as tensões entre Jerusalém e Moscou se agravam

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O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse na terça-feira que cabe ao Ministério da Justiça decidir se a filial do país da Agência Judaica, que ajuda os judeus a emigrar para Israel, deve ser dissolvida , e criticou a posição de Israel sobre o conflito na Ucrânia.

As relações entre os dois países ficaram tensas nos últimos meses, depois que Israel condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia e convocou o embaixador russo por causa de comentários feitos pelo ministro das Relações Exteriores Sergey Lavrov.

Em entrevista à TV russa, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, disse que a liderança de Israel assumiu uma postura tendenciosa e anti-russa sobre o conflito, e rejeitou sugestões de que seu departamento tenha participação nos processos contra a Agência Judaica.

“É uma pergunta para o Ministério da Justiça, essa é a informação que eu tenho. Definitivamente é uma questão legal”, disse Zakharova quando perguntado sobre o destino da organização.

“Infelizmente, nos últimos meses ouvimos, no nível das declarações, uma retórica completamente não construtiva e, mais importante, tendenciosa de Tel-Aviv. Foi completamente incompreensível e estranho para nós”, disse Zakharova.

O Ministério da Justiça solicitou anteriormente a liquidação da filial russa da Agência. As autoridades alegaram violações das leis de privacidade pela Agência e devem apresentar mais detalhes a um tribunal russo na quinta-feira.

As observações parecem sinalizar um esforço de Moscou para se distanciar do caso, que despertou preocupações em Israel sobre uma crise com a Rússia, lar de uma grande comunidade judaica e a grande potência com influência na vizinha Síria.

O primeiro-ministro israelense Yair Lapid, que como ministro das Relações Exteriores em março condenou as ações russas na Ucrânia, disse em comunicado no domingo que o fechamento da filial da Agência seria “grave, com ramificações para as relações (bilaterais)”.

Mas na terça-feira, o escritório de Lapid disse que ele e o presidente russo, Vladimir Putin, trocaram “saudações por escrito”. O escritório não expandiu imediatamente essa correspondência.

Lapid colocou uma equipe de juristas israelenses de prontidão para resolver o problema da Agência, uma vez que Moscou concorda em admiti-los. Até a manhã de terça-feira, eles não haviam partido. O ministro da Imigração de Israel expressou esperança de que eles não sejam cruciais.

“Vamos resolver este assunto pelo canal diplomático, mesmo que eles (delegados) não vão”, disse a ministra, Pnina Tamano-Shata, à Ynet TV.

Há 600.000 russos elegíveis para imigrar para Israel, disse ela, acrescentando que houve um aumento nos pedidos desde o anúncio do Ministério da Justiça russo sobre a Agência, que tem sede em Jerusalém e é a maior organização judaica sem fins lucrativos do mundo.

Separadamente na terça-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia tem questões legais sobre a organização, mas isso não deve ser “projetado” nas relações bilaterais entre Rússia e Israel.

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